Sodomia e cotidiano paulistano no mês em que o gengibre é tão popular que vira tiragosto na madrugada.
Fechando o mês junino, o ultimo Sarau Escarnio e Osso no Bar B com o lançamento virtual do livro A Piada Mágica, de Fábio Cardelli. Escrito durante a vida inteira de Cardelli, o livro está disponivel em www.visitantes.mus.br/apiadamagica.
A Piada Mágica circunda as histórias e processos que tornaram o homem tão humano, tão patético e tão humano. Ah, humanidade.
Um pouco da história do Sarau…
Todas as sextas feiras de junho no Bar B, a convite da banda Toró Instrumental , iniciativas literárias experimentais tomaram a lacuna entre a segunda entrada da banda.
Ganhou corpo ao longo do mês e segurança para maior experimentação. Da primeira apresentação, um misto de teatro invisível e sarau, as intervenções de Pedro Pracchia receberam os samplers de Maick Nuclear e a viceralidade de Fábio Cardelli, vocalista e guitarrista dos Visitantes.
Dia 13 de junho, o sarau ganhou ares digitais com Jovem Palerosi, do radiofônico programa Independência ou Marte, no Bee Rock festival, em Guaxupé (MG). A cobertura está no programa número 100.
Há registros de que a cidade de Guaxupé nunca mais foi a mesma depois de tamanha experimentação literária antes do primeiro show da nova turnê dos Visitantes: Na Brasa Fugaz da Cana Queimando.
Enquanto os outros shows não vem, Cardelli encarna os outros integrantes e visita sozinho o CICAS nesse domingo com o projeto Visitantes One Man Band, para dar o tom do abertura da exposição CLICAS, uma oficina de fotografia digital de celular que o mesmo Fábio Cardelli (de novo?) fez com as crianças que frequentam o centro comunitário. Junto com Vicio Primavera, banda de Caio Costa, e o sarau Poesia na Brasa e Literatura Suburbana.
Depois de passar por diferentes festivais de cinema do país e levar um pequeno punhado de prêmios, estreou finalmente em circuito comercial Loki, a biografia de Arnaldo Baptista, o homem, o deus, o mito, o fundador dos Mutantes. Abrangendo toda a sua pré e pós carreira, o filme não se furta de contar praticamente toda a história do apogeu, da queda e do renascimento de um dos mais talentosos rockeiros que este país/planeta já teve.
Desde já sabemos que o primeiro motivo que deve atrair as “massas” ao cinema é a curiosidade quase mórbida sobre os anos negros de Arnaldo e sobre como ele ficou nesse estado de hoje. Certo é que o que vai acompanhar as massas na saída do cinema é a emoção gerada pela fantástica história de Arnaldo, do fundo do poço à volta por cima, e o alívio de que não apenas nós, mas o mundo, deram o devido valor a esta seminal obra para o rock contemporâneo.
Muito blábláblá sobre filmes só aumenta o risco de contar o final sem querer, feito crítico da Ilustrada, e estragar a sensação e o prazer de cada um de vocês que deve (no sentido de dever cívico) assistir a este documentário. Então vamos parar por aqui, não sem antes deixá-los com o singelo trailer para vosso tiragosto:
Quatro pareceres sobre recém ouvidos lançamentos ou não – por Lacerad
Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum (junho/2009): ponto para o título inspirado no debut do Floyd e ponto para este terceiro e melhor disco (mas ainda não suficientemente bom) desta banda inglesa querida (pelos ingleses) cuja descrição mais apressada poderia ser Oasis encontra Front 242 encontra Enya. A influência indiana é ainda maior do que nos trabalhos anteriores, em algumas orquestrações de cordas (e codas e outros) e o momento alto acontece em “Fire”, o melhor western rock épico desde Knights of Cydonia ou the Age of the Understatement
Easy Star All Stars – Easy Star’s Lonely Hearts Club Band (abril/2009): terceiro álbum-cover deste trio de dub, sempre cercado de participantes especiais. Recomendado aos que gostam das músicas do Sgt Pepper original e aos fãs desta banda que já cobriu, ao seu estilo, o Dark Side of the Moon, do Floyd, e o OK Computer, do Radioh(dr)ead. Mas não necessariamente recomendado àqueles que não pertencem a nenhuma das amostragens populacionais anteriores, por não acrescentar sacadas substanciais à obra, além de deixar tudo sempre dub ou ska, não necessariamente nesta ordem.
John Frusciante – The Empyrean (janeiro/2009): mais um disco solo (e desta vez conceitual) do guitarrista mais lesado do planeta depois de Lanny Gordin, concebido no último biênio, enquanto os Chili Peppers decidiam se tiravam mais férias ou penduravam de vez as chuteiras. Não que o disco seja mau, há idéias boas ali, mas oscila sempre naquele (com o perdão do trocadilho) monotonismo da combinação recente entre o vocal e o tocar de John, que instantaneamente nos faz lembrar o porquê dos Peppers terem se tornado uma banda chata nos últimos… dez anos.
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Mark Lanegan – Bubblegum (agosto/2004): o melhor disco solo de 2004 ouvido em 2009, com o qual trombei por obra do acaso, que talvez queria me mostrar quão melhor um disco solo pode ser do que o da resenha anterior. Lanegan já teve uma primeira encarnação semi-pop durante o estupor do grunge (à frente do competente Screaming Trees), uma segunda e já soturna encarnação como free lancer no Queens of the Stone Age (com grandes serviços prestados, como este aqui) e esta que parece a mais sinistra e talvez última encarnação deste roqueiro-maldito-com-um-pé-na-cova-filho-bastardo-de-Tom-Waits. O álbum é de 2004 e tenho me perguntado a cada nova audição se alguém, além de Davi Rodriguez e Bill Debia ouviu a obra e, se ouviu, por que não me disse que era tão bom assim. Faixa a faixa, as pérolas vão desfilando (com várias participações especiais) e o conjunto ensina aos ouvintes a verdadeira lição de como fazer o rock contemporâneo dos anos 00 não cruzar a tênue fronteira do retrô deja vu pseudo-moderno.
“O FIM DO HOMEM CORDIAL ou A QUEDA DO CORONELISMO”
Uma produção CAVALO DO CÃO FILMES.
Duração — 2′56”
Ano — 2004
Formato — DV CAM
Sinopse : O grupo rebelde SUB v2.7 (subversão dois de julho) seqüestra o principal líder político da Bahia e exige que as imagens dele, em poder do grupo, sejam exibidas no telejornal local .
Ficha técnica:
Direção — Daniel Lisboa
Roteiro — Daniel Lisboa, Davi Cavalcante e Andrigo de lazaro
Fotografia — Pedro Leo
Edição — Daniel Lisboa
Produção — Daniel Lisboa e Davi Cavalcante
Elenco –Ângelo Flavio, Fernando Neves, Diego Lisboa, Luana Serrat, Bimbinho e Marcão.
Direção de arte — Davi Cavalcante e Flavio Lopes
Still — Murilo Figueiredo
Os galpões foram construídos na praça na década de setenta, junto com as Cohabs, e no projeto original que se perdeu com o tempo eram seus salões de festas. Foram abandonados pelo poder público cerca de 17 anos atrás. Nesse período, vândalos, criminosos e moradores de rua ocuparam o local.
Há dois anos, moradores das proximidades resolveram intervir no uso do espaço do galpão. “Começamos a pensar em fazer uma gestão autônoma do lugar. A idéia era proporcionar o acesso a arte para uma comunidade excluída pelo descaso social e político, vitimada pela falta de informação, de iluminação, policiamento, entre outros e piores problemas” salienta Bebeto CICAS.
Começaram a revitalização do espaço, mas os voluntários não se sentiam seguros nem a vontade de permanecer num espaço cheio de nóias no entorno. Até o estopim: Numa madrugada, uma mulher começou a dar a luz fora de um barraco. O grito dela cortava os ouvidos, e os outros nóias foram saindo incomodados, deixando-a sozinha. Roitman chamou o resgate. “Ela não largou o cachimbo de crack nem por um segundo. Quando o resgate chegou, ela ficou com medo, achou que era a polícia. Colocaram ela dentro da ambulância nua, com as pernas cruzadas com um filho querendo sair e o cachimbo de crack na mão. Cada músculo estava contraído.”
Invadiram o local e deram um prazo para que os viciados em crack saíssem do espaço. Na resistência dos ocupantes, Bebeto e Roitman colocaram fogo nos barracos no entorno dos espaços.
“As pessoas saíram de lá rindo. Gritavam: seus idiotas! Eu vou voltar pra minha casa, seu filho da puta. Eu moro ali na Cohab seu trouxa!” diz Roitman. “São pessoas que receberam o direito de moradia pública e mesmo assim ficam na rua o dia inteiro no crack”. O único que ficou foi Roberto. “Ele é uma espécie de zelador do espaço, morava aqui porque não tinha casa mesmo, não era só um nóia”. Foi fundado então o CICAS, Centro Independente de Cultura Alternativa e Social.
A Kombi com as caixas de som chega seguida do Corsa, as nove e meia da manhã. Os integrantes do JZ Sound System (JZ é uma referencia a Jardim Zaíra, bairro de Mauá) chegaram cedo: as apresentações e discotecagens em dias ensolarados são feitas na praça, e só acontecem quando termina a feira do rolo, e ninguém chegou ainda para abrir o CICAS. O fluxo de crianças perguntando sobre a abertura do centro aumenta gradativamente.
“O Estalo da Praça” é uma reportagem dividida em 4 partes em 20 dias.